Sistema múltiplo? Não aplicável a nível de constelação (Fomalhaut, sua estrela alfa, é um sistema triplo — ver ficha Fomalhaut)
*Astronomy
Official IAU information
Name
Piscis Austrinus
IAU abbreviation
PsA
Stars in the catalogue
2
Identification
Nome
Piscis Austrinus
Designações
PsA (abreviação IAU); genitivo Piscis Austrini
Tipo
constelação — uma das 48 constelações gregas listadas por Ptolomeu no Almagesto
1
Cultura de origem
mito de origem síria/mesopotâmica (Derceto/Atargatis), transmitido pelos gregos; ecos em tradições egípcia, romana, árabe e chinesa
2
Época
catalogada por Ptolomeu no séc. II d.C.; mencionada já por Aratos (c. 270 a.C.)
2
Idioma original
grego (Ἰχθὺς Νότιος); síria (mito de origem)
Technical data
Distância
não aplicável (constelação); sua estrela principal, Fomalhaut, está a 25,07 anos-luz [ver ficha Fomalhaut]
Magnitude
estrela mais brilhante, Fomalhaut (α PsA), magnitude aparente 1,16 — de longe a mais brilhante da constelação, que não tem nenhuma outra estrela de primeira ou segunda magnitude
2
Classe espectral
Fomalhaut é A3V/A4V [ver ficha Fomalhaut]
Cor
Fomalhaut — branca; Epsilon PsA — branco-azulada, a segunda estrela mais brilhante, marcando o topo da cabeça do peixe
3
Coordenadas
A.R. aproximadamente 21h 26m–23h 06m; Dec. aproximadamente -25° a -33°
2
Outros dados relevantes
60ª constelação em tamanho no céu; Ptolomeu catalogou 12 estrelas em Piscis Austrinus propriamente dito, mais 6 estrelas "não-formadas" próximas que mais tarde deram origem à constelação de Microscopium; a estrela que Ptolomeu colocou na ponta da cauda do peixe foi posteriormente apropriada para formar a cabeça da nova constelação de Grus (hoje Gamma Gruis)
1
Notes and recent research
Exoplanetas? Não aplicável a nível de constelação (ver Fomalhaut b na ficha Fomalhaut)
*Description
Constelação pequena e discreta do hemisfério celeste sul, notável quase exclusivamente por abrigar Fomalhaut, uma das estrelas mais brilhantes do céu noturno, isolada em uma região do céu com poucas outras estrelas de destaque. É tradicionalmente representada com a boca aberta, bebendo a água que escorre da jarra da figura vizinha de Aquário — um "peixe bebedor" cuja postura intrigou comentaristas antigos e modernos.
2History
Origem mítica: ao contrário da maioria das 48 constelações ptolomaicas, de origem grega, Piscis Austrinus tem origem síria/mesopotâmica — o mito de Derceto (ver Mitologia), registrado por Eratóstenes.
1Catalogação: listada por Ptolomeu no Almagesto (séc. II d.C.) como uma das 48 constelações clássicas, com 12 estrelas próprias mais 6 estrelas "não-formadas" na vizinhança.
1Mudanças de nomenclatura: variantes latinas incluem Piscis Australis (a mais comum, usada por Plancius, Bayer, Hevelius, Bode), Piscis Notius (adotada por Halley, Flamsteed, Argelander e Heis, prevalecendo por fim) e Piscis Australis de Lacaille. A IAU padronizou o nome em 1922.
1Redesenho territorial: no final do séc. XVI, Petrus Plancius e outros cartógrafos holandeses criaram a constelação de Grus a partir de estrelas antes atribuídas à cauda de Piscis Austrinus — a estrela que Ptolomeu chamava de 12ª de Piscis Austrinus tornou-se Gamma Gruis. Bayer e outros então "endireitaram" a cauda do Peixe Austral para não sobrepor a cabeça de Grus.
1Constelação obsoleta vizinha: o astrônomo Johann Bode incluiu, na sua Uranographia (1801), a constelação hoje extinta de Globus Aerostaticus (o balão de ar quente), posicionada atrás da cauda de Piscis Austrinus, em homenagem aos irmãos Montgolfier.
1Marco moderno: em 2008, um objeto próximo a Fomalhaut foi anunciado como o primeiro exoplaneta fotografado diretamente em luz visível; reclassificado em 2020 como nuvem de poeira — ver ficha Fomalhaut para detalhes.
*Observation
Melhor época
final do verão e outono no hemisfério norte; no hemisfério sul (incluindo o Brasil), visível confortavelmente por sua declinação mais austral.
2
Localização
ao sul de Aquário e Capricórnio, numa região do céu com poucas estrelas brilhantes vizinhas — o que faz Fomalhaut se destacar ainda mais.
2
Dificuldade
fácil de localizar Fomalhaut (uma das estrelas mais brilhantes do céu); o resto da figura do peixe é discreto e exige céu escuro.
Instrumentos
a olho nu para Fomalhaut; binóculos ou telescópio ajudam a traçar o restante da figura, discreta em brilho.
Curiosities
Uma imagem de Fomalhaut e seu disco de detritos, capturada pelo telescópio espacial Hubble e divulgada pela revista New Scientist em 22 de junho de 2005, foi comparada ao "Grande Olho de Sauron" da trilogia O Senhor dos Anéis — uma referência de cultura pop real e documentada, não uma elaboração recente.
4A "cauda" original da constelação, tal como catalogada por Ptolomeu, hoje pertence a outra constelação (Grus) — um raro caso de "amputação" territorial entre figuras celestes vizinhas.
1Beduínos árabes viam Fomalhaut e Achernar como um par de avestruzes no céu.
1References
Stars of the constellation
Myths
Cultural traditions
Mesopotâmia
O mito de origem da constelação (Derceto/Atargatis) tem raízes sírias, numa região de forte influência mesopotâmica — ver Mitologia. Allen registra que os babilônios simplesmente chamavam a constelação de "o Peixe".
1Egito
Segundo Allen (via La Lande/Dupuis), a constelação foi identificada com o Oxirrinco, peixe cultuado no Egito, protagonista do mito em que "o peixe engoliu o pênis de Osíris" — geralmente identificado com o peixe-elefante da família Mormyridae. Segundo Diodoro Sículo, Ísis teria mandado erguer imagens do peixe em posição ereta nos templos, dando origem ao mito do nascimento de Príapo (Itifalo). Uma segunda versão, registrada por Sandra Kynes, liga a constelação a uma lenda egípcia de Ísis sendo resgatada por um peixe — variante próxima ao mito sírio de Derceto.
2Grécia
Eratóstenes chamou a constelação de "o Grande Peixe" e disse ser o progenitor dos dois peixes menores da constelação zodiacal de Peixes. Aratos (c. 270 a.C.) já a descrevia em sua posição atual, com Fomalhaut "grande e brilhante junto aos pés do Aguadeiro".
1Roma
Nomes latinos: Piscis Australis (o mais comum), Piscis Notius/Notus, Piscis Meridianus. Isidoro de Sevilha (Etimologias, séc. VII d.C.) propõe duas etimologias concorrentes para "Piscis Australis": ou por "sorver" (aurire) uma onda de água em sua boca, ou por aparecer (oriri) quando as Plêiades começam a declinar a oeste. Vitrúvio e outros ligam o nome ao vento sul, Auster/Notos.
3Pérsia
Ver seção "Pérsia" e "História" na ficha Fomalhaut para a desconstrução acadêmica completa da tradição das "quatro Estrelas Reais da Pérsia" (Aldebaran, Regulus, Antares e Fomalhaut) — uma construção francesa do séc. XVIII (Bailly, Dupuis), sem base nos textos avésticos/pahlavis originais, nos quais a entidade correspondente à região de Fomalhaut é Satavaesa, associada não a uma única estrela, mas à constelação de Aquário como um todo (da qual Ptolomeu já considerava Fomalhaut parte, junto com Piscis Austrinus).
4China
Os astrônomos chineses chamavam Fomalhaut de Beiluo shimen, "o portão do acampamento de Yulinjun", os Guardas Reais. Outras estrelas da constelação formavam Baijiu (uma tigela) e Tianqian, "dinheiro celestial".
1Mundo Árabe
Conhecida como Al Ḥūt al Janūbiyy, "o Grande Peixe do Sul", distorcida em fontes medievais tardias para "Haut elgenubi". Beduínos árabes viam Fomalhaut e Achernar (em Eridanus) como um par de avestruzes.
3Outras culturas
Segundo Sandra Kynes, na tradição celta o peixe (na forma do salmão) era considerado uma das criaturas mais antigas e sábias, símbolo de sabedoria e conhecimento do outro mundo, associado a profecia, adivinhação e inspiração — o salmão teria recebido conhecimento ao comer as avelãs das nove árvores da sabedoria caídas na água. Kynes recomenda usar avelãs para traçar o padrão estelar de Piscis Austrinus em trabalhos de adivinhação, trabalho psíquico ou viagem xamânica, substituindo uma avelã por quartzo branco na posição de Fomalhaut, por ser a estrela mais brilhante. Nota de convergência: a erva "avelã" também consta, de forma independente, entre as correspondências próprias de Fomalhaut no material de Aileen Daw — uma coincidência interessante entre uma fonte de bruxaria moderna publicada e a gnose pessoal registrada no Caminho Adhara, sinalizada aqui sem afirmar relação causal entre as duas.
5Mythology
O mito central de Piscis Austrinus, registrado por Eratóstenes, é de origem síria, não grega — um caso relativamente raro entre as 48 constelações ptolomaicas. A deusa síria da fertilidade Derceto (nome grego para Atargatis) teria caído em um lago perto de Bambyce, no norte da Síria, junto ao rio Eufrates, e foi salva por um grande peixe. Em gratidão, os sírios passaram a não comer peixe, mas a venerar imagens de peixes como divindades — os templos de Atargatis mantinham tanques de peixes sagrados, e seus sacerdotes praticavam um ritual teofágico de comer peixe com segurança, privilégio negado ao povo comum.
1Uma segunda versão, contada pelo escritor grego Diodoro Sículo (séc. I a.C.), situa a história em Ascalon, na Palestina: Derceto, envergonhada de um caso amoroso com um jovem sírio chamado Caístro, do qual nasceu sua filha Semíramis, teria matado o amante e abandonado a criança antes de se jogar deliberadamente em um lago como tentativa de suicídio; no lago, foi transformada em uma sereia, metade mulher, metade peixe. Semíramis, criada por pombas, tornou-se mais tarde rainha da Babilônia. Ian Ridpath observa que "todos os relatos sobre a mitologia desta constelação são frustrantemente esparsos".
1Uma segunda linha mitológica, de origem egípcia (via Allen, La Lande e Dupuis), liga a constelação ao peixe Oxirrinco, adorado no Egito antigo como o peixe que engoliu o pênis de Osíris após seu desmembramento por Set — Ísis teria então fabricado um substituto ritual do falo perdido, revivendo Osíris o suficiente para conceber Hórus. Diodoro Sículo relaciona essa tradição ao mito do nascimento de Príapo (Itifalo). Essa linha egípcia é distinta da linha síria de Derceto, e as fontes não indicam qual delas — se alguma — é anterior à outra.
2References
- Star Tales — Piscis Austrinus — RIDPATH, Ian ↗
- Piscis Austrinus — Constellations of Words ↗
- Star Names: Their Lore and Meaning — ALLEN, Richard Hinckley — 1963 [1899]
- The So-Called Royal Stars of Persia — DAVIS JR., George A. — 1945
- Star Magic: The Wisdom of the Constellations for Pagans & Wiccans — KYNES, Sandra — 2015
Astrology
The constellation in astrology
Fixed-star astrology
A constelação é tradicionalmente representada com a boca aberta, bebendo a água que escorre da jarra de Aquário — "uma coisa estranha para um peixe fazer", nota Ridpath.
1Segundo Staal (citado por Constellations of Words), o peixe é frequentemente visto como sinal de salvação nas lendas de grandes dilúvios: "o peixe bebe as águas do dilúvio para salvar o mundo".
2Bayer atribuiu à constelação a natureza do planeta Saturno.
3Vivian Robson (The Fixed Stars and Constellations in Astrology, 1923)
Lenda: "esta constelação é dita comemorar a transformação de Vênus na forma de um peixe".
3"Ptolomeu não dá influência separada [para a estrela] e descreve Fomalhaut, mas segundo Bayer a constelação é de natureza de Saturno. Diz-se ter influência semelhante à de Peixes, mas, além disso, aumentar as fortunas".
3Marco Manílio (Astronomica, séc. I d.C., livro 1 e livro 5)
"Então se ergue o Peixe do Sul, no quadrante do vento do qual recebe seu nome".
4Sobre os nascidos sob o signo do Peixe do Sul: "passará seus anos junto à costa do mar e à margem do rio; capturará peixes enquanto nadam suspensos nas profundezas ocultas; lançará seus olhos gananciosos no meio das águas, ansiando por reunir pedras translúcidas (pérolas) e, ele mesmo imerso, as trará à tona junto com os lares protetores de concha onde se escondem. [...] Nenhum perigo resta ao homem para enfrentar, o lucro é buscado por meio de naufrágios". Manílio liga a constelação, portanto, à pesca, ao mergulho em busca de pérolas e ao comércio marítimo — atividades lucrativas, mas de risco constante.
4References
Magic
Magical correspondences
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Prayers
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