Astronomia

Informação oficial da IAU

Designação

HR 2943

HIP

37279

ID de Bayer

α CMi

Magnitude visual

0,4

Ascensão reta (J2000)

114,825°

Declinação (J2000)

5,22499°

Adoção pela IAU

2016/06/30

Origem do nome

From its ancient Greek name Προκύων, "the One Preceding the Dog", referring to its rising shortly before the "Dog Star", Sirius. Reapplied in Renaissance times.

Identificação

Nome

Procyon

Designações

α Canis Minoris (α CMi)

Designações

HR 2943

Designações

HIP 37279

Designações

HD 61421

Tipo

estrela binária — subgigante/sequência principal F5 IV–V (Procyon A) + anã branca DQZ (Procyon B)
1

Cultura de origem

Grécia (nome consagrado); registros anteriores na Mesopotâmia
2

Época

nome grego atestado desde Arato (c. 270 a.C.) e Ptolomeu (séc. II d.C.); reaplicado formalmente no Renascimento
3

Idioma original

grego antigo

Constelação

Cão Menor (Canis Minor)
4

Asterismos

Triângulo de Inverno (histórico-cultural / moderno) — estrelas: Sirius (α CMa), Betelgeuse (α Ori) e Procyon (α CMi).
1
Hexágono de Inverno / Círculo de Inverno (histórico-cultural / moderno) — estrelas: Rigel, Aldebaran, Capela, Castor e Pólux, Procyon e Sirius.
1
Nánhé (南河), "o Rio do Sul" (asterismo chinês, dentro do Pássaro Vermelho do Sul) — estrelas: Procyon (α CMi), Gomeisa (β CMi) e η CMi. Junto com Běihé ("Rio do Norte", Castor e Pólux) era lido como portão ou sentinela dos dois lados da eclíptica.
5
Al Dhirāʽ (o Côvado/Braço curto) (asterismo árabe) — Procyon e Gomeisa marcavam os pontos terminais do "côvado curto"; o "côvado longo" ia de Castor a Pólux.
2
Ke ka o Makaliʻi ("o escoador da canoa") (asterismo havaiano de navegação) — inclui Procyon.
1
MAŠ.TAB.BA, "os Gêmeos" / Gêmeos Menores (asterismo mesopotâmico) — Procyon e Gomeisa, nas tábuas Three Stars Each (c. 1100 a.C.). 🟡 Ver ressalva na seção Mesopotâmia.
6

Dados técnicos

Distância

11,46 ± 0,05 anos-luz (3,51 ± 0,02 parsecs)
1

Magnitude aparente

0,34 (Procyon A); 10,7 (Procyon B)
1

Magnitude absoluta

2,66 (A); 13,0 (B)
7

Classe espectral

F5 IV–V (A); DQZ (B)
1

Cor

branco-amarelada
8

Coordenadas (J2000)

AR 07h 39m 18,11950s / Dec +05° 13′ 29,9552″
1

Ascensão reta

07h 39m 18,1s
1

Declinação

+05° 13′ 30″
3

Movimento próprio

−714,590 mas/ano em AR; −1.036,80 mas/ano em Dec
7

Massa

1,478 ± 0,012 M☉ (A); 0,592 ± 0,006 M☉ (B)
1

Raio

2,043 ± 0,009 R☉ (A); 0,01234 ± 0,00032 R☉ (~8.600 km) (B)
1

Luminosidade

7,049 ± 0,064 L☉ (A); 0,00049 L☉ (B)
1

Temperatura

6.582 ± 5 K (A); 7.740 ± 50 K (B)
1

Idade

1,87 ± 0,13 bilhões de anos (A); 1,37 bilhão de anos como anã branca (B)
1

Notas e pesquisa recente

Sistema múltiplo? Sim — binária com período orbital de 40,84 anos, excentricidade 0,4, separação média de 15,0 UA (de 8,9 a 21,0 UA)
1
Exoplanetas? Nenhum confirmado nas fontes consultadas.
*
Longitude zodiacal (astrologia de estrelas fixas): 24CAN24 em 1900; 25CAN47 em 2000; 26 Câncer 01 em 2019
3

Descrição

Procyon é a estrela alfa do Cão Menor e marca o corpo do "cão menor"; para Butler/Johnson, o "coração" da constelação.
2
É a oitava estrela mais brilhante do céu noturno e o 14º sistema estelar mais próximo do Sol.
1
Procyon A está em transição da sequência principal para subgigante: já esgotou quase todo o hidrogênio do núcleo, convertido em hélio.
1
Procyon B é uma anã branca de atmosfera dominada por hélio, prevista por Bessel em 1844 e só observada visualmente em 1896.
1
Ptolomeu catalogou apenas duas estrelas no Cão Menor — Procyon (no corpo) e a estrela do pescoço, hoje β Canis Minoris.
5
Procyon é uma das 58 estrelas oficialmente designadas para navegação astronômica.
7
Aparece na bandeira do Brasil, representando o estado do Amazonas.
1

História

c. 1100 a.C. — Procyon e Gomeisa aparecem nas tábuas mesopotâmicas Three Stars Each como MAŠ.TAB.BA, "os gêmeos".
6
c. 270 a.C. — Arato menciona Προκύων em Fenômenos; o nome já era o único usado pelos gregos, sem título comparativo.
2
séc. II d.C. — Ptolomeu registra a estrela e a constelação no Almagesto, entre as 48 constelações gregas.
5
séc. I a.C.–I d.C. — Cícero traduz o nome como Antecanis; Horácio escreve "Jam Procyon furit"; Plínio faz o nascer helíaco de Procyon abrir os "dias de cão" em 19 de julho.
2
séc. XV — Ulugh Beg designa a estrela como Al Shiʽrā al-Shāmiyyah.
2
1521 e 1545 — Tábuas Afonsinas registram Aschere/Aschemie/Algomeysa e depois prochion & Algomeyla.
2
séc. XVI — Leonard Digges, no almanaque Prognostication Everlasting (1553), comenta os "grandes efeitos" do nascer da "Litel Dogge".
2
1844 — Friedrich Bessel postula uma companheira invisível a partir do movimento próprio anômalo da estrela.
1
1862 — Arthur Auwers calcula os elementos orbitais do sistema.
1
1896 — John Martin Schaeberle observa visualmente Procyon B com o refrator de 36 polegadas do Observatório Lick.
1
1922 — a IAU adota "CMi" como abreviação da constelação.
6
Julho de 2016 — o Grupo de Trabalho de Nomes de Estrelas da IAU aprova oficialmente o nome "Procyon" para α Canis Minoris A.
1

Observação

Melhor época

janeiro a março no céu da noite; mais proeminente por volta das 22h em meados de fevereiro (HN). Allen registra que Procyon culmina em 24 de fevereiro.
2

Localização

a sudeste dos pés de Gêmeos, com a borda oeste da constelação sobre a Via Láctea; separada do Cão Maior por Monoceros. Forma, com Sirius e Betelgeuse, o Triângulo de Inverno — o modo mais fácil de identificá-la.
2

Dificuldade

fácil — é a oitava estrela mais brilhante do céu, magnitude 0,34, inconfundível a nordeste de Sirius.

Instrumentos

a olho nu já é a atração; Procyon B (magnitude 10,7) é alvo difícil mesmo em telescópios médios, pela proximidade e pelo contraste de brilho com a primária.
1

Curiosidades

Procyon é o nome do gênero dos guaxinins — animais que vivem perto da água. A explicação corrente é que os cães teriam descendido, em sentido evolutivo, de um ancestral da família dos guaxinins: guaxinins seriam, portanto, "antes dos cães".
3
Robson observa que "as ideias de água e afogamento parecem universalmente associadas a esta constelação" — e um guaxinim, se atacado na água, afoga o oponente.
9
Bayer deu à constelação os títulos gregos Sykaminos e Morus, a amoreira — do árabe Al Jummaizā. Virgílio dizia que a amoreira é a planta mais esperta, porque brota por último, esperando o calor para evitar as geadas; por isso era dedicada a Minerva.
3
O gênero Morus (amoreira) deriva do latim mora, "demora" — mesma raiz indo-europeia que gerou memória e Moira, a deusa grega do destino.
3
Nos talismãs de Procyon da Renaissance Astrology, o galo usado não é qualquer galo, mas um frizzly (de penas encrespadas para trás): no hoodoo, o galo frisado preto é o melhor em afastar maldições e magia maligna.
8
Bode, em sua Uranographia (1801), rotulou β Canis Minoris como "Mirzam" — nome hoje aplicado a β Canis Majoris.
5
No atlas cristianizado de Julius Schiller, o Cão Menor virou o Cordeiro Pascal.
2
Leonard Digges escreveu em seu almanaque de 1553: "Quem, versado em matérias astronômicas, não nota os grandes efeitos do nascer da estrela chamada o Pequeno Cão?"
2
Brady liga James Dean, Oliver Cromwell e Elizabeth Taylor a Procyon — todos casos de fama rápida que não durou.
10

Referências

  1. Procyon — WIKIPEDIA ↗
  2. Star Names: Their Lore and Meaning — ALLEN, Richard Hinckley — 1963 [1899]
  3. Constellations of Words — Procyon / Canis Minor — WRIGHT, Anne — 2008 ↗
  4. A Dictionary of Modern Star Names — KUNITZSCH, Paul; SMART, Tim — 2006
  5. Star Tales — Canis Minor — RIDPATH, Ian ↗
  6. Canis Minor — WIKIPEDIA ↗
  7. Procyon (α CMi): Star System, Name, Constellation, Location — STAR FACTS ↗
  8. Fixed Star, Sign and Constellation Magic — WARNOCK, Christopher
  9. The Fixed Stars and Constellations in Astrology — ROBSON, Vivian E. — 1923
  10. Brady's Book of Fixed Stars — BRADY, Bernadette — 1998